Aceita que olhe para si?
Deixou-se fitar
Foi feito de acaso esta paixão.
Aquela música
Aqueles trinados que afagam os ouvidos
São mel.
Nasceste tu.
Acaso a música estava a tocar.
Os teus pais disseram: o melhor de tudo é seres engenheiro.
Para que sejas altivo.
A vitória surpreendeu-os.
O olhar reflecte o acaso.
Já tivemos dois engenheiros a (des)governar-nos
A "casa" espera por eles.
À hora exacta eles lá estão.
Debruço-me da janela.
A lua pisca o olho.
As coisas surgem.
Há testamento para saber
A quem pertence o mundo?
Não.
Faltava-nos fé.
E por isso acreditávamos em qualquer coisa.
Em qualquer luta falsa.
Até as pequenas esperanças se tornavam difíceis
De concretizar.
Quanto mais sabíamos das vida dos outros
Tanto menos conhecíamos a nós próprios.
Acostumavamo-nos sem dor às tragédias do mundo contemporâneo.
E ainda éramos capazes de cuidar das nossas flores.
É o acaso.
É o acaso que nos trouxe a este mundo.
É o acaso que nos fez nascer neste país.
Porque ficam estes "chefes" e não outros?
Ou gostam de governar ou se acham diferentes
Foi coisa que nunca soube dizer.
Até que haja suficientes heróis,
Criados em berços de bronze
De coração corajoso.
Entretanto penso por vezes
Que é melhor dormir do que estar assim sem companheiros
Pois para que servem sensíveis em tempos de indigência?
Mas eles são como sacerdotes santos do deus do vinho.
Que em noite santa vagueiam, vagueiam.
POIS NEM SEMPRE PODE SER O ACASO

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