
Neste momento há gente a morrer em guerras.
Há pessoas e muitas e muitas crianças em campos de concentração privados de tudo.
Há irmãos nossos, gente, a sofrer em "hospitais" improvisados sem qualquer tipo de assistência.
Como pensarão estas pessoas?
Se calhar apenas pensam que têm fome ou dor, porque todos os restantes pensamentos não lhes ocorrem.
As pessoas com a barriga vazia não devem pensar a não ser em comida.
Se calhar rezam porque é a única coisa que os aconchega, mas ao mesmo tempo pensam em matar que também pode produzir o mesmo efeito.
Perdem os desejos?
A música, a arte, tudo aquilo em que precisamos de reclinar um pouco a cabeça, está posto de parte.
Nós, ocidentais, clamamos e reclamamos de abundância.
Clamamos de desespero.
As imagens que nos chegam desses mundos martirizados e distantes é, pelo contrário, de silêncio e espera.
Vê-se mulheres, no Afeganistão, sentadas, silenciosas à espera de comida das organizações internacionais.
A Humanidade nessas paragens é conceito por descobrir. A vida para estas pessoas é muito pesada. Vêem morrer filhos à fome e à doença. Maridos, pais e amigos à bala, à catanada, de qualquer maneira, quando não são mesmo enterrados vivos.
E nós ocidentais, confrontamo-nos com vida a menos, i. é. com uma redução imensa de vida disponível, através das quedas do consumo, de saúde, às vezes por comida a mais, por questões de ordem subjectiva na maioria das vezes.
As nossas vidinhas vão sempre mal, mesmo quando vão bem, dizemos vão mais ou menos.
Vamos para os ginásios para emagrecer e adelgaçar (este é um negócio em franca expansão).
Em contrapartida, é a expansão do cultivo da heroína que os afegãos reclamam, como fonte de rendimento.
Sentimo-nos inquietos pela perda dos nossos direitos mas nem pensamos nos direitos que esses lá tão longe, desconhecem.
Continuamos todos cegos de pulverização de luz.
Liquidamos os deuses e semideuses de todos os nossos sonhos - Justiça, Pão, Paz e Habitação para todos.
Anestesiamo-nos de luzes, de catedrais de consumo, de telenovelas, noticiários, shows redondos, quadrados e em círculo, para cobrir com nevoeiros cerrados o que se passa lá.
As notícias são-nos dadas e nós só agarramos a que nos convêm e as que menos nos fazem sofrer.
É normal.
O que é obsceno é pensarmos que somos os mais desgraçados, por estar desempregados, viúvos, órfãos, doentes ou mesmo e tão só tristes.
E os outros? Sim, os outros?
Os que vivem ou sobrevivem lá longe, que se calhar ainda têm esperança que um dia as coisas melhorem.
Os que não sabem o que é a liberdade, que não sabem o que é o direito à saúde?
Para esta gente, se calhar nada importa muito. Pouco ou nada importa E quanto menos importa, menos importa.
Nunca é sufientemente importante porque coisas piores tinham acontecido e por certo vão acontecer.
Para nós, ocidentais, também começa a pensar-se assim, em alguns círculos.
Veja-se só, aqueles que vivem nos sistemas de canalização de algumas cidades, muitas cidades por este ocidente fora.
Já se conhecia o caso de Nova Iorque, mas há também os sem abrigo doutras cidades ocidentais, como o caso de Katwice (Polónia), 800 pessoas vivem nestes esgotos. Vivem no Inferno.
Vivem a 15 metros abaixo do solo e mesmo assim lhe chamam" casas".
Convivem com os ratos a quem adoptam e com toda a insalubridade e putrefacção.
Sobrevivem nestas condutas para não morrerem congelados.
Aqui na cidade do Porto, já vi os sem abrigo, saírem das grutas da Av. Gustavo Eifel, junto ao Rio
Douro. Saírem dos BURACOS que lá existem.
PORTANTO NA NOSSA CIDADE TAMBÉM OS HÁ.
Quem se importa com isso?
Meia dúzia de voluntários para pacificarem as suas almas e poderem dormir descansados.
Claro, é o álcool, são as drogas, as doenças mentais as responsáveis.
Mas quem os exclue?
NÃO SOMOS TODOS NÓS?
Mas há quem se queira auto-excluir. Claro!
MAS TAMBÉM HÁ MUITOS MAIS QUE QUEREM SE AUTORES DA EXCLUSÃO.

Só adicionar duas coisinhas:
ResponderEliminarNunca vi nenhum empresário a vender a sua moradia e o seu bruto carro topo de gama para pagar as indemnizações aos seus trabalhadores (que de 6ª feira para 2ª encontram as portas da empresa fechadas, sem qualquer aviso prévio). Todos ficam bem na vida, olaré...
E viver no esgoto?
Parecido é ir durante a noite às urgências dos hospitais e ver os sem-abrigo que lá passam a noite porque, pelo menos, têm algum aquecimento. Esses não são empresários falidos, de certeza. Mas, certamente, serão ex-trabalhadores das suas empresas falidas (?).
Sou quem sabes.
Fernando.