quarta-feira, 27 de maio de 2009

OLIVEIRA E COSTA OU A VINGANÇA SERVE-SE FRIA


UMA PERSONALIDADE

Homem que continua apesar de tudo a considerar ser o melhor entre todos os outros que considerava bons.
Refere que já leu 60 livros na cela da cadeia (PJ). De certeza uma grande parte são de psicologia.
Chama aos colaboradores mais próximos casos psicopatológicos.
Está convencido que por ser bom, lhe "fizeram a cama".
Embora repita, com veemência que não deseja mal a ninguém, é a única coisa que deseja.
Reeinvindica-se de trabalhador e competente, o que em certa medida não devia ser mentira.
Ontem teve o seu momento de glória depois de tantos meses de cela.
Conseguiu rir, inclusivamente. Foram momentos de felicidade dramática.
Revelou-se centralizador e ditador por não considerar nenhum dos seus colaboradores tão bom como ele, daí os ter que supervisionar. Óbviamente que a esta supervisão ele não lhe chama os dois adjectivos que eu mencionei acima.
De certa maneira, a sua personalidade utiliza traços lunáticos.
Pelo que assisti do relato na Comissão de Inquérito na A.R., fiquei convencida que se se tratasse duma pessoa mais nova, quando saísse da cadeia, iria reiincidir, porque ele julga que com a sua forma de trabalhar pode, de certa forma, "desenvolver o país", como ele próprio diz e se convence.

Referiu várias vezes a sua doença (cancro de próstata intervencionado em 1998), por certo para preparar terreno para a sua saída.

Oliveira e Costa foi-se desembrulhando ao longo das cerca de 5 horas de exposição e perguntas a que foi sujeito. Primeiro, meio encolhido, depois mais à vontade e ainda com uma enorme capacidade de resistência, física e psicológica.

Tentou demonstrar-nos que estava rodeado de gente ambiciosa, no caso do Sr. Dr. Dias Loureiro e de pelo menos mais 6/7 pessoas. Quanto ao Sr. Dr. Dias Loureiro abordou-lhe a personalidade e carácter com um misto de violência e prazer. Disse que em certas ocasiões, este se fez passar por presidente do próprio banco, bem como que quando entrou, a sua ambição era tão grande que contava vir a ser presidente daí a seis meses.

Oliveira e Costa usa de embófia. Ele é o homem importante, os outros são os empregados. E os importantes só falam com os importantes.
Não admite o cometimento de erros.
Os erros são os outros que os cometem.
Se todos fossem inteligentes como ele e tivessem a sua visão, nada disto tinha acontecido.

Trata-se, óbviamente dum homem sem escrúpulos como tantos milhões de outros, aliás será conceito a que ele não dará qualquer tipo de crédito.
Os valores e princípios destes seres desembocam na cloaca.
A ambição destas pessoas não conhece amigos, sistemas políticos ou qualquer outra coisa,é AMBIÇÃO e ambição é fome de comer o semelhante.

É um homem mediterrâneo, logo com requinte.
O primeiro dos requintes é a sua postura. Cara fechada, de homem determinado que se pode confundir com ar de pessoa séria.
Possui uma força irresístível de amor próprio, de auto-estima.
Considera-se um ser superior e perpicaz, com doses de paciência e pragmatismo, capazes de lhe valerem em qualquer momento.

A língua entaramelava-se ontem, mas não podemos esquecer o episódio que referiu da intervenção que efectuou à próstata, no estrangeiro, e que não contou a ninguém.
Trata-se , efectivamente, dum homem duro, com o aconchego da sua própria intimidade, na qual poucos penetram.
Homem com contas antigas a ajustar. Homem de acção.

Neste momento, utiliza o poder que tem, o de poder acusar muitos que lavaram as mãos como Pilatos e se há figura histórica com quem o Dr. Oliveira e Costa não simpatiza é Pilatos.

Não perdoa.
É orgulhoso e meticuloso.
Reage "à la longue". Cerebral. Racional.
As suas impressões pessoais são as que contam.
Não sendo leal não admite deslealdades, porque gosta de ser bajulado.

Encontra-se desiludido com as pessoas, mas com "grano salis", já que também nunca nelas confiou em demasia.
Convém-lhe dizer o que pensa e fazer o número de vítima para futuro julgamento, mas escusa-se a falar do principal, das"off-shores" e banco insular.

Sabia que se encontrava num saco de gatos e que não possuía amigos, por isso também não tinha o controlo sobre tudo.

Não há muito homens destes, felizmente. Mas, à nossa dimensão este senhor é o nosso Henry Kissinger.

Tal como ele é teimoso.
Tal como ele, custa-lhe a admitir a realidade, mesmo que esta seja uma evidência.
Da mesma forma só a sua análise é que conta, desconfiando de todas as outras, mesmo que por vezes faça de conta que está a levar a sério outras opiniões que não a sua.
Voluntarista.
Algo supersticioso.
Tal como Kissinger, priveligiava as mensagens orais às escritas.
E acima de tudo e o que mais os assemelha, é que para ambos, só as suas próprias posições são para manter.

Não me admiraria que este homem que tanto ambicionou e ainda ambiciona, embora de outra forma, um dia termine louco.

Entretanto continua a ler e estou convencida que se tivesse lido sempre com esta frequência, não teria tido tempo de tantas maldades, de prejudicar o povo português em tantos milhões.

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